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Porque não consigo parar de comer?

Esta é a pergunta que a maior parte das pessoas com algum tipo de transtorno alimentar fazem. Neste artigo, vamos falar-lhe de alguns distúrbios alimentares e porque é tão difícil parar de comer.

Precisa de fazer dieta, mas não consegue fechar a boca. Passa a vida a culpar-se. As pessoas à sua volta já lhe deram várias dicas de que precisa de perder peso. No fundo, queria ter força de vontade para mudar de hábitos, e culpa-se por não conseguir fazê-lo, quando tanta gente consegue.

Já tentou várias coisas, tantas, mas tantas, que já perdeu a conta. Como a força de vontade não chega, nem a dieta, nem os resultados, o desânimo vai tomando conta de si, logo, come mais, para compensar a tristeza e frustração. E assim, neste círculo vicioso de tristeza, frustração e açúcar, vai passando a vida.

Muitas vezes, este quadro piora, dando origem a distúrbios alimentares graves, como é o caso da bulimia e da compulsão alimentar.

Vamos perceber o que são e entender melhor os processos cerebrais que levam a estes impulsos.

“Como a força de vontade não chega, nem a dieta, nem os resultados, o desânimo vai tomando conta de si, logo, come mais, para compensar a tristeza e frustração. E assim, neste círculo vicioso de tristeza, frustração e açúcar, vai passando a vida.”

 

 

 

BULIMIA E COMPULSÃO ALIMENTAR: O QUE SÃO E QUAIS AS DIFERENÇAS?

A bulimia é um distúrbio alimentar grave, caracterizado por uma grande ingestão de comida, de forma descontrolada, seguida de uma compensação. Esta compensação acontece através da indução do vómito, exercício físico intenso ou toma de laxantes/diuréticos. O objetivo é eliminar o máximo de calorias ingeridas anteriormente.

Quem sofre deste transtorno é, normalmente, muito crítico em relação ao próprio corpo, sofrendo de alterações repentinas de humor, devido às mudanças bruscas a que o seu corpo está sujeito.

Numa situação prolongada de bulimia, o organismo pode entrar em falência, perdendo aos poucos as suas defesas e funções vitais. O risco de vida existe e é fulcral uma intervenção concertada entre várias áreas da saúde física e mental.

Já a compulsão alimentar, não sendo tão grave, é também um distúrbio que merece toda a atenção. Existem, igualmente, episódios de ingestão de grandes quantidades de comida, bem como a sensação de falta de controlo, pautados por um sentimento de culpa. Neste caso, não existem mecanismos de compensação (vómito, uso de laxantes, etc.), como acontece na bulimia.

Estes episódios de compulsão alimentar são uma tentativa de estabilizar emoções. Uma sensação de desconforto (problema no trabalho, alteração de humor, etc.) é suficiente para desencadear este transtorno.

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PORQUE NÃO CONSIGO PARAR DE COMER?

Todos nós precisamos de comida para sobreviver, é uma necessidade primária. No entanto, nesta nossa rotina cheia de desafios e exigências, raras são as vezes em que paramos e ouvimos o nosso organismo, de verdade.

Esta falta de contacto connosco faz com que seja muito difícil distinguir a fome real, a necessidade de manter o corpo a funcionar, daquilo que é um capricho das nossas hormonas, ao qual é tão fácil ceder.

Por isso, a dificuldade em parar de comer não tem a ver com força de vontade. Tem a ver com hormonas, processos químicos que acontecem no nosso corpo, todos os dias a todas as horas.

Então, não perca mais energia a culpar-se e a achar que é mais fraco que qualquer outra pessoa. Foque a sua energia em entender o que a ciência diz sobre a fome.

ENTENDA OS PROCESSOS CEREBRAIS QUE REGULAM A FOME

Não culpe a sua falta de força de vontade. Culpe antes o hipotálamo! Esta região cerebral é uma espécie de quartel-general, que comunica com todo o corpo, regulando as várias funções biológicas, como a nossa temperatura, desejo sexual ou o apetite. No que diz respeito ao apetite, existem duas hormonas que têm um papel fundamental na sua regulação: a leptina e grelina.

A leptina informa o cérebro quando estamos saciados e não precisamos de ingerir mais alimentos, enquanto que a grelina emite sinais de fome, dando-nos vontade de comer.

Num mundo ideal, em que não nos sentimos tristes e conseguimos suprir todas as nossas necessidades, estas duas hormonas convivem em perfeito equilíbrio. Na vida real, não é bem assim.

Diariamente, temos vários desafios que desequilibram as funções destas duas hormonas. Basta dormir mal uma noite ou ter um dia de trabalho mais stressante, para desregular as trocas químicas que acontecem no cérebro.

Como resposta a estes desafios, o organismo vai fazer tudo para recuperar o equilíbrio, que garante a sobrevivência. O consumo de alimentos com mais gordura ou açúcar vai equilibrar momentaneamente os níveis de prazer do cérebro. Ou seja, estamos em equilíbrio, depois temos uma situação de stress, que quebra este equilíbrio, consumimos um alimento com mais açúcar e o equilíbrio é retomado (ainda que a curto prazo). É um círculo vicioso.

No entanto, todo este sistema complexo de compensação não tem em conta os problemas a que daí podem advir, como o sentimento de culpa, o aumento dos níveis de colesterol do sangue, a falta de energia, etc.

Como vê, esta luta acontece no cérebro, no equilíbrio hormonal, e não entre a sua força de vontade e a fatia de bolo de chocolate.

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Por isso, mais do que resistir à fatia de bolo, importa regular o seu descanso, mexer-se um pouco, fazer coisas que lhe deem prazer, cuidar de si. Mantendo todos estes níveis de autocuidado acima da linha vermelha, será muito mais fácil fazer uma alimentação equilibrada, com espaço para comer tudo, de forma regrada, com prazer e sem culpas.

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