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Mar 29, 2022 | Media | 0 comments

Ways of seeing: o corpo como objeto

Um artigo da Vogue Portugal, sobre a objetificação do corpo feminino, com o contributo da psicóloga clínica e fundadora da Academia Transformar, Filipa Jardim da Silva.

As mulheres são ensinadas a aceitar que, mais cedo ou mais tarde, se devem tornar objetos passivos do olhar masculino. A que é que se deve esta objetificação do corpo feminino? Lançámos a pergunta a Filipa Jardim da Silva, psicóloga clínica, coach e fundadora da Academia Transformar. “Felizmente este padrão de educação está em transformação. Esses ensinamentos clássicos e tradicionais vêm de doutrinas de religião e de sociedade em que a mulher deveria assumir um papel secundário na vida de uma forma geral. Deveria aceitar as escolhas da sua família, do homem com quem casaria, deveria comportar-se como lhe diziam, deveria agradar ao outro, deveria ser fértil e cuidar dos seus filhos. A objetificação do corpo feminino foi, assim, uma consequência da objetificação geral e do lugar passivo e desprovido de liberdade individual que a mulher ocupou durante muitos anos. Nas últimas décadas assistiu-se a um movimento de libertação, individualização e empoderamento feminino, em que nem a mulher enquanto pessoa, nem o seu corpo, são expectáveis de ser objetos passivos do olhar masculino.”

  

“A OBJETIFICAÇÃO DO CORPO FEMININO FOI, ASSIM, UMA CONSEQUÊNCIA DA OBJETIFICAÇÃO GERAL E DO LUGAR PASSIVO E DESPROVIDO DE LIBERDADE INDIVIDUAL QUE A MULHER OCUPOU DURANTE MUITOS ANOS.”

FILIPA JARDIM DA SILVA

 

 

 Ainda assim, existe um certo constrangimento não só com o poder do corpo feminino, como relativamente à ideia de que um corpo nu, no geral, é ofensivo, ou até diabólico. “São muitos séculos de crenças limitativas e de ideias proliferadas à boleia de doutrinas religiosas, de estilos de educação e de condutas sociais, em que a exposição do corpo feminino sempre foi considerada incorreta ou inaceitável, sinal de vaidade ou de falta de pudor e credibilidade, até por parte de uma mulher. Se, por um lado, o corpo feminino sempre foi mais explorado e até apreciado de um ponto de vista artístico, também sempre foi mais sujeito a comentários, críticas e estereótipos mais acentuados. Estas heranças prevalecem até hoje. O certo e o errado, o bonito e o feio, o harmonioso e o assimétrico acompanham o olhar com que a mulher olha para o seu próprio corpo e com que a sociedade, sobretudo ocidental, olha para o corpo feminino.”

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